Você precisa entender a economia em 2020!!!

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Em sua coluna na Folha de São Paulo, Vinicius Torres Freire (https://bit.ly/2QY5DAx),  comenta um levantamento com alguns empresários e profissionais do mercado sobre as expectativas para a economia em 2020.

O colunista mostra um discurso (narrativa) positiva e confiante com a economia em 2020, mesmo que esses empresários e financistas não percebam elementos mais robustos que sustentem suas expectativas(https://outline.com/wvX4Gq).

Mas, o que faz com que pessoas tão preparadas possam estar redondamente enganadas?

Deixando do lado as questões de fundamentos da economia do lado da demanda (isto nos falta), vamos focar esse escrito na questão mais relevante, que são os vieses cognitivos.

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Uma nova vertente da economia, a economia comportamental, trata de como os agentes econômicos tomam decisões e quanto essas decisões podem ajudar aos agentes a conseguir seus objetivos de forma eficiente.

Enquanto que na economia tradicional os agentes econômicos são racionais, possuem autocontrole e são indiferente a emoções e fatores externos, a economia comportamental explica que os humanos não são racionais e são incapazes de tomar boas decisões.

O ser humano é muito propenso a errar em suas decisões porque ele não é tão “racional” como os economistas insistem em dizer.

Isto posto, a despeito das condições incertas da economia brasileira e mesmo mundial, somada a nossa incapacidade de prever o futuro, empresários, financistas e economistas renomados recorrem a conceitos teóricos que funcionaram no passado, além de heurísticas.

Uma heurística é o uso de regras práticas ou atalhos mentais para tomar uma decisão rápida, e isso define os agentes como racionais para realizar suas “previsões”.

Mas por que isso ocorre?

Porque é comum as heurísticas estarem erradas ou infundadas, o que leva à vieses cognitivos. Ou seja, erros de decisão por não perceber fundamentos ou eventos que muitas vezes estão claros como o dia (para os outros). Sabe aquela: todo mundo vê, só não você?

Os vieses cognitivos são “conectados”, ou seja, ocorrem de forma integrada ao tomar a decisão ou realizar a “previsão”. Pois, na tentativa de simplificar demais decisões complexas o erro é quase inevitável.

Compreender nossos preconceitos cognitivos pode melhorar nosso grau de acerto (acurácia), e dos economistas de mercado também.

Então, descrevi abaixo alguns dos principais vieses cognitivos que podem levar a más decisões e previsões de ano novo sobre a economia.

1 – Viés de confirmação – é comum a gente só ver o que quer. Recebemos informações de todos os lados, mas apenas as informações que confirmem nosso ponto de vista são as lidas e analisadas.

Então, é comum ver economistas renomados e grandes empresários fazendo isso com muita frequência, pois qualquer informação que não confirme o que é pensado por eles pode representar “pessimismo”.

2 – Viés da retrospectiva – eu sempre acertei desse jeito, não é agora, como tudo ao meu favor, que irei errar!

Pois é, o viés de confirmação é combinado com a noção de que os (poucos) sucessos passados podem ser repetidos e mais frequentes no futuro.

Quem lembra da expectativa da decolagem da economia brasileira em janeiro de 2017, 2018 e 2019? Nesses anos crescemos por volta de 1% ao ano e as “previsões” eram ao menos para 2,5% a.a (https://bit.ly/387jV7E).

3 – Viés de ancoragem – a soma do viés de confirmação e viés de retrospectiva resulta em ancoragem de decisões, ou seja, no viés de ancoragem.

O viés de ancoragem é a tendência em confiar demais ou ancorar nosso olhar para o futuro em um fato (positivo ou não) do passado. Nada indica que o fato pode se repetir. E geralmente não nos perguntamos – quantas vezes aquele fato positivo ocorreu comigo ou perto de mim no passado?

Se for olhar com cuidado, poucas vezes. Por isso que viajar de avião é mais seguro que de automóvel.

4 – Efeito manada – se o economista global que já morou em Nova York e hoje é digital influencer e alguns colegas empresários estão acreditando que em 2020 o Brasil vai decolar, por que eu vou pensar diferente?

Quando vamos aos fatos e dados as previsões podem não se sustentar.

Imagine que a opinião de 40 empresários de São Paulo e um grupo de financistas da Faria Lima, podem estar na direção contraria da opinião e sentimento do restante dos 200 milhões de brasileiros. Ou, pelo menos, dos 53 milhões de nordestinos.

Então, é factível supor que a opinião dessa dúzia de brasileiros pode não estar bem fundamentada com a situação geral do restante do país.

Só lembrando que nesse ano (2020) o dólar começou em cerca de R$ 4,00 e no dia 15 de janeiro já estava em R$ 4,18. Quase 5% de alta em quinze dias (a inflação em 2019 foi de 3,86%).

Como se vacinar para evitar o contágio dos vieses cognitivos dos outros em nossas decisões?

Buscando mais dados, informações, opiniões diversas as nossas e novos conhecimentos. Essa prática é a forma mais eficaz para evitar que no início do ano você faça o coro de “agora vai”. Mas no final do ano você repita frustado, “não foi dessa vez”.

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