Guarda-chuva só em dia de sol!!!

Banco é um estabelecimento que empresta o guarda-chuva em dias de sol e nos pega de volta em dias de chuva. Essa máxima resume bem o que acontece com os juros bancários no Brasil. No post entenda um pouco mais sobre o por quê dos juros do cartão de crédito estarem em 300% a.a.

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Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços, a utilização de cartões de crédito no Brasil cresceu 14,5%. E atualmente chega a movimentar R$ 1,55 trilhão ou o equivalente a 22,8% do PIB (Produto Interno Bruto) (veja aqui https://bit.ly/2G8BAjR).

O movimento dessa montanha de dinheiro significa grande escala de produção e a possibilidade de reduzir os custos médios, que são os juros. Pensando de modo bem simplista.

Fique por dentro das tendências do mercado com mais rapidez no conforto da sua caixa de entrada:

O custo oficial do dinheiro no Brasil seria a taxa SELIC. Essa taxa é estabelecida pelo o mercado financeiro para medir o risco do governo. O governo utiliza essa taxa para sinalizar como referência para que se estipule as demais taxas de juros da economia. Contudo nenhum simples mortal consegue tomar dinheiro emprestado com a taxa SELIC.

Os bancos quando captam recursos dos clientes estão pagando 7% a 9% a.a. Portanto, é razoável considerar que o custo de captação de recursos não seja maior que 10% a.a. Embutindo aí todos os custos da operação em si.

Então temos de um lado, uma grande escala de produção e serviços, com a imensa base de clientes que utilizam e gastam nos cartões de crédito. Por outro lado, uma taxa de referência dos juros no Brasil que atualmente está em 6,5 a.a. e um custo de captação para os bancos de no máximo 10%.

O que explica, então, os juros no cartão de crédito ser cerca de 300% a.a.?

Esse fenômeno nacional é um mistério que muitos tentam explicar e todos falham em fazer isso. As explicações são diversas. Seja sugerindo que o risco de inadimplência é alto, seja sugerindo que manutenção da rede de cartões é cara, a realidade é que pagamos em média 300% de juros ao ano.

Mas, estava eu estudando sobre design de mercado, ou o mercado com combinações, e encontrei uma possível explicação para esses juros exorbitantes dos cartões de crédito.

O professor Alvin Roth, nobel em economia, em seu livro Como os mercados funcionam, apresenta uma explicação a partir do desenho do mercado de cartões para justificar as altas taxas de juros cobradas. Ele argumenta que os cartões de crédito favorecem o “descongestionamento” o mercado de crédito. Tornando-o menos denso. Mas, isso cria um monopólio bancário que discrimina preços de forma quase completa. Deixem-me explicar.

O desenho do mercado de cartões

Os cartões de crédito são fundamentais para o sistema, pois possuem o poder de simplificar as transações entre compradores e vendedores. A existência de poucas bandeiras  – VISA, MasterCard, Amex, Elo – simplificam ainda mais, concentrado quase todos os clientes nessas bandeiras.

Esses cartões criaram uma central de compensações interbancárias com suas máquinas de cartão junto aos vendedores. Com isso o lojista não precisa ter mais uma máquina de cada cartão, ele pode operar diretamente com a que seu banco oferece.

O cartão de crédito dá ao portador acesso ao mercado de crédito, de modo que sempre que você quiser comprar algo, mesmo sem dinheiro no momento, você pode pegar dinheiro emprestado de forma automática, simplesmente não pagando o valor total devido ao cartão quando a fatura chegar.

Essa é a armadilha. No momento em que você precisa pegar dinheiro emprestado ao cartão, os juros são enormes – os 300% a.a. que falei antes. E isso ocorre porque o banco tem você na mão dele. Você já fez o gasto e precisa do dinheiro para postergar o pagamento da fatura, o banco te empresta sem te fazer perguntas, assim é fácil, fácil.

Com você na mão, o banco não enfrenta concorrência para te oferecer dinheiro. Assim, ele não precisa baixar o preço do dinheiro, que são os juros.

Outro elemento do mercado que favorecem as taxas altas é que os bancos ficam oferecendo “vantagens” ao possuidor do cartão, como milhas, serviços de seguro viagem e concierges para viagens, por exemplo. A questão é que como uma parcela ínfima dos clientes conseguem trocar milhas ou utilizar os serviços. Mas, a maioria  raramente prestam a atenção nas taxas de juros cobradas.

Pouca concorrência e pouca comparação de taxas

Na verdade, o prof. Alvin Roth argumenta que é a densidade do mercado, ou seja, a existência de grande volume de compradores e vendedores para definir redução dos preços. Para o caso dos cartões, não há densidade da oferta e os consumidores não se ligam muito nas filigranas do mundo financeiro.

Assim não há pressão para que os bancos baixem as taxas e apareçam com todos os tipos de desculpas sobre a taxa média de 300 a.a.

Acredito que nem os bancos digitais e as cooperativas de crédito consigam modificar esse quadro, pois ainda assim teremos um mercado pouco denso, com poucos ofertantes.

Como visto, não é bom negócio tomar dinheiro direto de cartões de crédito. O ideal é pagar sempre a fatura integral.

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