Cocriando Paulo Freire nas metodologias ágeis: empatia pelo Nordeste.

Muito estamos falando sobre metodologias ágeis, design thinking, metodologias ativas de aprendizado e outras formas de colar post its nas paredes. A questão central é a empatia. Sem empatia não há entrega de valor. Sem empatia não há desenvolvimento de clientes. O pensamento educacional de Paulo Freire é lembrado em relação a isso, pois ele já fazia isso no Nordeste, há mais de 50 anos atrás e sem nenhum conhecimento em metodologias ágeis.

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As metodologias ágeis para a gestão e desenvolvimento de produtos trabalham com a perspectiva da empatia e cocriação.

Empatia é a capacidade de entender ou sentir o que outra pessoa está experimentando. Ademais, entender a partir do quadro de referência do outro. É a capacidade de colocar-se na posição de outro.

Decerto que isso significa ser tão bom em ouvir os pensamentos dos outros como ouvindo e entendendo o seu próprio.

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Todos nós temos nossos próprios pontos de vista, padrões, experiências e entendimentos culturais que nos diferenciam dos outros. Quando misturamos pontos de vista, particularmente em um contexto situacional ou cultural único, estamos ampliando nossa habilidade para entender e ter empatia pelos outros.

A diversidade e a tolerância traz e potencializa a empatia

Quando somos empáticos em relação a outra pessoa, consideramos a perspectiva dela antes de falar ou agir. Tentamos encontrar uma maneira de fazê-la se sentir apoiada, amada, cuidada ou simplesmente compreendida.

É nesse ponto que lendo sobre Paulo Freire me veio a mente a relação entre seu trabalho e o conceito de empatia para as metodologias ágeis.

Desse modo, sua proposta de trabalho para o ensino é baseada em entender o outro em seu contexto. E isso é pura empatia.

Para Paulo Freire, as dificuldades na aprendizagem não estão no método, mas na vontade de quem ensina para entender o outro e adequar a entrega do conteúdo ao contexto e necessidades de quem está para aprender.

Para ele, os “métodos canônicos” de ensino não são desenhados para atender populações com deficiências de aprendizado, com dificuldade de acesso ao conhecimento, ou mesmo, populações sem acesso a nenhum método.

É preciso cocriar formas de ensinar e aprender

A escassez de acessos e possibilidades das comunidades observadas por Paulo Freire, definia a necessidade para o desenvolvimento de abordagens de formação de pessoas construídas em conjunto com as comunidades. Era cocriação no ensino.

O patrono da educação brasileira prototipou seu método numa pequena cidade do Rio Grande do Norte, chamada Angicos. Foi lá que ele alfabetizou 380 trabalhadores e cujo experimento ficou conhecido como as “Quarenta horas de Angicos” (ver mais aqui https://bit.ly/2MEthkt).

Esse experimento se baseou em empatia e cocriação do conhecimento junto aos alfabetizados. Foram 40 horas de construção conjunta de conhecimento. Monitores e professores foram à campo para entender o contexto dos alunos (pesquisa etnográfica). Conversaram com eles, fizeram perguntas e perceberam as dores da comunidade. Ou seja, construíram um mapa de empatia 56 anos atrás.

Após a busca por entendimento do contexto, iniciou-se o ensino baseado nas experiências dos alunos. Foram 40 horas em que cada sílaba ensinada e aprendida estava baseada em palavras ditas e repetidas pelos alunos em seu cotidiano. Era pura cocriação de conhecimento.

Os monitores aprendiam a ensinar por meio do entendimento do contexto dos alunos, os alunos eram alfabetizados pelos monitores por meio do entendimento de sua própria realidade.

 

O que os métodos ágeis tem a ver com Paulo Freire?

Nos métodos ágeis é isso que está em questão, o ser humano e seu contexto como centro das soluções. Portanto, a tecnologia não é o centro de tudo, apenas um instrumento para o bem-estar do ser humano.

Então, a empatia passa a ser o ponto de partida e a cocriação o referencial para a construção de produtos, serviços e métodos que se ajustam (fit) perfeitamente ao usuário ou cliente.

Os métodos ágeis são flexíveis, ou seja, não há apenas um método, mas vários e que podem ser combinados de acordo com os mais variados contextos.

O kanban veio da indústria automobilística e está na base da concepção do Trello, um aplicativo de gestão de projetos. O Scrum veio do setor de TI e hoje está em vários setores onde a gestão de projetos se faz necessária.

O próprio Manifesto Ágil saiu da cabeça de alguns desenvolvedores americanos de softwares. E atualmente os conceitos lá postos permeiam várias técnicas de gestão no mundo inteiro.

Criticar, revisar e iterar

Enfim, como o próprio Paulo Freire recomendava que as ideias dele não fossem replicadas sem críticas e sem adequações ao contexto. E as metodologias ágeis para ser mais eficientes precisam, também, estar bem adequadas ao contexto. Todas as hipóteses devem ser criticadas e iteradas.

É nesse contexto que entra a empatia Freireana. Pois toda a realidade posta não pode ser considerada estática. O mundo muda o tempo todo, logo, os projetos são passíveis de intervenções para melhorias. Mas, é preciso saber quais melhorias podem ser entregues e a qual tempo.

É preciso ter empatia com o usuário, com o aprendiz, com as pessoas.

Ahh, Paulo Freire é nordestino, nascido em Recife, Pernambuco e como tal foi um forte, assim como suas ideias estão mais fortes do que nunca nesse mundo de certezas simples, verdades viesadas e silêncios contraditórios.

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