Quanto vale seus nudes?

Acompanhe também nas redes sociais:

A privacidade é, ou deveria ser, um direito humano fundamental.

Sendo um direito, o direito aos dados pessoais pode ser comparado com o direito à terra, ou seja, seus dados pessoais têm a sua propriedade.

Na era do BigData, ou do Grande Irmão, as violações de dados se tornaram cada vez mais comuns em nossas vidas diárias. No Brasil, existe uma comissão que foi instalada recentemente para cuidar desses problemas. É a Comissão de Proteção dos Dados Pessoais (CPDP) do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MP-DFT). Essa comissão atualmente trata de casos em todo o país, e eles vão desde violações externas, como no caso recente da C&A, a casos de vazamento por profissionais da própria empresa para extorqui-la, como aconteceu no Banco Inter[i].

Fique por dentro das tendências do mercado com mais rapidez no conforto da sua caixa de entrada:

Esses ataques estão crescendo e em grande medida por conta do aumento de volume de dados ter crescido exponencialmente ao longo da última década. O “novo petróleo” já está causando as externalidades negativas da mesma forma que o “velho” petróleo. E quando os dados que as instituições capturaram de indivíduos para administrar seus negócios são violados, os indivíduos sofrem os efeitos colaterais em termos de privacidade e perdas financeiras. E isso é uma externalidade negativa grande.

Mas, as responsabilidades de tal dano não são claramente definidas e, portanto, levadas em conta dentro do mecanismo de mercado.

Essas violações de dados estão ocorrendo em todas as grandes empresas que lidam com eles, e nós cedemos nossos dados de boa vontade. Tome a violação de segurança do Facebook em setembro de 2018 como um exemplo. 30 milhões de pessoas (mais da metade da população do Nordeste), tiveram seus nomes e detalhes de contato vazados, e dentro dos quais 14 milhões delas tiveram suas informações confidenciais (incluindo gênero, localidade / idioma, status de relacionamento, religião, cidade natal, cidade atual, data de nascimento, educação, trabalho etc) expostos aos atacantes.

O Facebook não preservou a segurança de seus dados e apenas se desculpou, dizendo que era “uma quebra de confiança” e que “prometem fazer melhor” para os usuários. A questão é: quando você cede seus dados para um aplicativo ou plataforma na internet, o direito de utilizá-los é de quem? Você pode ser pago por ceder seus dados?

No Brasil existe a Lei Geral de Proteção de Dados que passa a vigorar em 2020, deve motivar investimentos em segurança por parte das empresas. Mas, e se os direitos de seus dados fossem claramente definidos e você pudesse vende-los?  E se o governo não precisasse intervir com leis para proteger você e seus dados, pois você saberia o preço de seus nudes? Considerando que o vazamento de dados é uma externalidade negativa da atividade digital.

Ronaldo Coase, prêmio Nobel em Economia, argumenta em seu teorema que “o mercado pode potencialmente resolver o problema das externalidades, por si só, se os direitos de propriedade estiverem completos e as partes puderem negociar sem custos”. Ou seja, não precisaria o governo elaborar leis ou regulamentações, o mercado resolveria se os agentes tivessem consciência e completude de seus direitos.

Com base no Teorema de Coase, os direitos de propriedade dos dados referem-se, de fato, aos direitos de realizar uma lista de ações circunscritas com eles. Alguns exemplos de ações devem incluir:

  • Direito de controlar o acesso aos dados de uma pessoa.
  • Direito de monetizar seus dados.
  • Significativa para doar seus dados.
  • Direito de defender a privacidade de seus dados.

Quando os direitos de dados acima estão claramente definidos, os indivíduos têm o poder de recorrer legalmente e tem o poder de barganhar contra um “incidente de violação de dados” que inflija seus direitos. Ou seja, se algum site ou plataforma for atacada e roubarem os dados de terceiros, os atingidos podem negociar diretamente o tamanho de suas indenizações.

E então, quanto vale seus nudes?

[i] https://epocanegocios.globo.com/Mercado/noticia/2018/09/nunca-houve-tanta-violacao-de-dados-pessoais-diz-promotor-que-investiga-casos.html

Como este conteúdo foi útil para você?

Clique em uma estrela para avaliá-lo

Avaliação média / 5. Contagem de votos

We are sorry that this post was not useful for you!

Let us improve this post!