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Transformação empresarial e profissional em tempos de COVID-19 (mesmo com vacina).

Transformação empresarial e profissional em tempos de COVID-19 (mesmo com vacina).

Empreendedorismo | 11/01/2021

Se você que é empreendedor ou mesmo profissional liberal que esperou por todo ano de 2020 para agir na transformação de seu negócio ou em sua atuação profissional no mercado, não há mais tempo para perder. Apesar de que em 2020 os meses pareciam anos e cada semana meses, o planejamento de muitas empresas passou a ser apenas uma peça de ficção, pois, após o início da pandemia não faz mais sentido o planejamento estratégico formal e tradicional.

Nada garante que 2021 seja muito diferente, mesmo com a vacina.

O que está valendo nesses tempos turbulentos é a solidez de um modelo de negócio com capacidade para adaptação e transformação.

A verdade é que a pandemia COVID-19 criou uma crise muito diferente para o mundo todo, e principalmente para muitos proprietários de pequenas empresas. O vírus levou a governos mais responsáveis decretar fechamento de atividades econômicas por um longo período de tempo. O fechamento atingiu quase todos os negócios não essenciais, impactando fortemente na capacidade de faturamento de muitas pequenas empresas em todo o Brasil.

Os negócios nunca mais irão voltar completamente ao que eram antes, seja para melhor ou para pior. Muitos estudiosos estão chamando que devemos analisar o tempo atual como ‘AC’ e ‘DC’, significando “antes do COVID e depois do COVID”. O fato é que, embora esse nível de interrupção seja em muitos aspectos sem precedentes, o mesmo ocorre com as novas possibilidades de transformações empresariais, sejam para as empresas as mais tradicionais ou as pequenas empresas em rápida expansão.

Esse momento de turbulência está levando as empresas em modificar seu modus operandi, as maiores estão testando novos “espaços” competitivos, enquanto as menores estão operando no “vácuo” local e de personalização que muitas grandes empresas não estão conseguindo atender.

As novas palavras-chave para os negócios são transformação e remodelagem.

Para empreendedores com agilidade e coragem, em tempos como estes conseguem construir vantagens competitivas sustentáveis e chegar primeiro em muitos mercados. Assim, conseguem superar grandes concorrentes que estão presos demais em seus próprios esquemas de transformação interna para se posicionarem adequadamente frente as novas oportunidades emergentes. 

Mas saber como fazer o desenvolvimento de negócios durante essa pandemia global pode ser um desafio, especialmente quando esse desafio não é enfrentado por quase todos os seres humanos. Certamente, sair e bater em portas no modo clássico e antiquado para captar novos negócios já não é um bom negócio, mesmo em um mundo pós-COVID. 

Os empresários hoje enfrentam o desafio de identificar oportunidades de negócios valiosas o suficiente para os clientes comprarem, apesar de enfrentarem uma crise econômica e de saúde pública. Além disso, os empreendedores devem estar motivados o suficiente para aproveitar a oportunidade e se capacitar dentro do que for necessário para realizá-la.

Capacitação não significa apenas adquirir novos conhecimentos, mas também, desenvolver novos recursos competitivos pessoais e para a empresa.

Como especialista em empreendedorismo e inovação, defendo que os modelos de negócios devem se transformar estrategicamente para atender às novas necessidades do consumidor, enquanto permanecem fiéis a seus valores essenciais. Os clientes estão enfrentando mais dificuldades do que nunca na história recente. Durante a recessão mundial de 2007 e 2009, o Brasil apresentou uma taxa de desemprego na ordem de 8%, mas em 2010 consegui crescer quase 10% a.a. e o desemprego desceu para 6,7%. Atualmente o país amarga uma taxa de 14% de desemprego e mais 7% de desalento, ou seja, somados os oficialmente desempregados que estão procurando emprego e aqueles que já desistiram, o país tem uma taxa de desocupação da mão de obra em torno de 20%. A maior em um século.

Como resultado, os clientes reduziram os gastos com compras discricionárias e de luxo. Embora a Grande Recessão tenha sido ruim, é essencial entender que a pandemia COVID-19 gerou um tipo diferente de impacto na economia.

O país criou um auxílio emergencial para a população mais vulnerável que totalizou a injeção de cerca de R$ 300 bilhões em 2020. Um gasto 6 vezes maior que o bolsa família. Foram “descobertos” 12 milhões de brasileiros sem renda nenhuma e a pandemia escancarou a grande desigualdade no Brasil. Isso tudo deixou os clientes com medo de gastar dinheiro porque não sabem quando o caos causado pelo COVID-19 terminará. 

Apesar desses desafios, alguns clientes estão procurando gastar em compras discricionárias e de luxo, mas com um ticket menor. O varejo está percebendo recentes picos nos gastos dos consumidores com produtos relacionados ao conforto doméstico, como roupas leves, utensílios domésticos, móveis e eletrônicos, reformas e construção civil, além de serviços especializados, como arquitetura, paisagismo, assinaturas de café e informação, serviços de tele medicina, atividades físicas e equipamentos de ginástica.

Esse gasto está ocorrendo porque muitos clientes veem a potencial recessão econômica como uma oportunidade de economizar dinheiro em coisas que simplesmente desejam, mas não precisam absolutamente. No esforço para ajudar os pequenos empreendedores a acessar essa base de consumidores, delineei algumas estratégias baseadas em ferramentas tradicionais e mais avançadas, mas que podem ajudar na transformação dos modelos de negócios que atendam às novas e crescentes necessidades dos clientes atuais e novos.

Planejamento estratégico flexível e a descoberta de clientes

Apesar do ambiente turbulento e das grandes mudanças mundiais, um planejamento para o desenvolvimento das capacidades empresariais e que seja flexível é fundamental para a sobrevivência empresarial. Os pequenos empresários devem se envolver em um planejamento estratégico que pondere os diferentes cenários econômicos e de negócios sempre na perspectiva dos próximos meses, de seis a oito. Mas, tem que ficar atento as mudanças mais bruscas, pois desde que essa pandemia surgiu, ela muda o ambiente externo da empresa quase que diariamente. 

Faça um plano, mas planeje diferentes cenários e considere a realização de uma análise de pontos fortes, pontos fracos, oportunidades e ameaças (SWOT) e uma matriz de ameaças, oportunidades, pontos fracos e pontos fortes (TOWS) para ajudá-lo a planejar estrategicamente durante este tempo. 

Em seu plano, desenvolva uma estratégia para descobrir clientes-alvo usando ferramentas, como o processo de descoberta de clientes de Steve Blank. 

As empresas, sejam grandes, pequenas ou mesmo as startups, falham quando não conseguem se conectar com os clientes. 

Então, como você determina quais são os clientes certos? Aqui estão um caminho a ser seguida para reduzir o risco e aumentar as chances de sucesso:

  • Saiba os principais conceitos de marketing, adequação de produto / mercado e design de modelo de negócios.
  • Utilize várias metodologias para avaliar a adequação do produto / mercado.
  • Avalie o potencial de lucro da ideia de negócio que está em mente.
  • Enquadre suas ideias em um processo de validação ágil.
  • Crie perfis de clientes, mapas de valor e use-os para analisar o que será necessário para ajustar o produto ao mercado.

Mesmo capacitando a empresa desses conhecimentos e recursos, é quase certo que sua empresa precisará se transformar de alguma forma para que possa atender aos segmentos de mercado escolhidos.

Mas a principal dica é ter disciplina tanto na elaboração como na execução. Monte um time na empresa, motive o pessoal, busque ajuda profissional, mas não desista de entender seu cliente e realizar as transformações que seu negócio necessita.

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